
O Bixiga, um dos bairros mais tradicionais da capital paulista, está passando por mudanças importantes. Com a chegada de novos empreendimentos e projetos, o bairro vive um momento de transformação. Moradores e comerciantes estão empenhados em manter a identidade cultural da região, conhecida por suas cantinas italianas e festas populares, enquanto buscam se adaptar ao crescimento e à modernização.
“O bairro anos atrás era muito diferente, era muito mais tranquilo de viver. Apesar de eu sido nascida e criada em prédio, no Bixiga minha rua era considerada a que mais tinha edifícios e só existiam três naquela época! Uma das maiores mudanças que vemos hoje é a demolição das casas para a construção de novos edifícios”, explica Nádia Garcia, 48, jornalista e uma das colaboradoras do Portal do Bixiga. A jornalista também compartilha como a chegada de novos empreendimentos, dentre eles a nova estação de metrô da linha 6- Laranja, Estação – 14 Bis- Saracura, influenciam no dia a dia do bairro.
A especulação imobiliária, a construção da estação de metrô são algumas das razões pelas quais o bairro está ficando com um alto custo de vida. Com a vinda de novos empreendimentos, o bairro do Bixiga luta por manter a tradicionalidade que o sustenta por tantos anos. Sendo a terceira geração, Leonardo Murari, administrador da Cantina Taberna do Julio – fundada em 1966, no coração do Bixiga -, conta como é cuidar de um restaurante tradicional e adaptar nos tempos atuais sem perder a essência. “Talvez seja a parte mais difícil de tocar: encontrar um equilíbrio entre a ‘nova geração’ e o tradicional. Quando eu assumi o que foi colocado em pauta era justamente como manter a tradição que é tão importante”.
O Bixiga tenta manter as comemorações tradicionais com ajuda da comunidade, “é difícil, muitas delas acontecem sem verba, apenas com vaquinha dos moradores, mas o bairro é muito envolvido. Se pegar a festa de Nossa Senhora da Achiropita, a maioria dos voluntários são os próprios moradores”, compartilha Nádia sobre os desafios de manter a cultura viva no bairro. “Quando falamos de tradição do Bixiga, estamos falando de comunidade forte, seria impossível manter nossa tradição se não fossem as pessoas”, compartilha a jornalista.
“Na minha infância, o bairro era muito tradicional italiano, normalmente as famílias italianas moravam nos fundos ou nos andares de cima das cantinas. Era muito rico de cultura também. À noite era uma típica noite paulista com os bares que compunham essa parte turística”, divide Renata Murari, 50, sobre como o Bixiga integra a tradição de forma orgânica no dia a dia da capital paulista. Renata ainda compartilha que apesar da forte influência da cultura italiana no bairro, a mistura cultural marca presença na história do Bixiga.
E não podemos falar do bairro do Bixiga sem deixar de mencionar uma das principais agremiações do Carnaval Brasileiro, a escola de samba Vai Vai está presente no bairro desde o ano de 1930. Apesar de não estar mais localizada no bairro devido o início das construções da estação de metrô 14 Bis- Saracura, a Escola de samba se mantém presente nas festividades e no cotidiano do Bixiga, “o Bixiga sempre foi um bairro tradicional de cultura italiana, bastante boêmio com muitos teatros, muitos barzinhos e restaurantes, e um bairro de acolhimento da música tradicional brasileira que é o samba com a Vai Vai” continua Renata Murari.
Os novos empreendimentos que estão chegando ao Bixiga veem como um lugar cheio de potencial, por conta de sua localização central e de sua rica história cultural. Juliana Freire , colaboradora do projeto Forró das Bonita, que acabou de alugar um espaço para seu estúdio de dança no Bixiga, compartilhou como a nova conquista é importante para sua história. A professora de dança também compartilhou seu entusiasmo e compromisso com a preservação da cultura, “no Bixiga, próximo a espaços importantes de resistência, seremos mais um”.





