Bancos de sangue adotam medidas emergenciais para contornar a escassez durante feriados prolongados e períodos críticos
Segundo a Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo, os hospitais e unidades de saúde enfrentam uma queda nos estoques de sangue. Essa baixa ocorre anualmente em feriados prolongados, como no carnaval e também no final de ano, isso porque as pessoas costumam viajar e, ao ficarem longe de suas casas, ficam longe dos seus pontos de doação.
Como estratégia, foi adotado o Dia Nacional do Doador de Sangue. Há 60 anos essa data vem sendo comemorada no dia 25 de novembro, próximo aos feriados do final de ano que segundo a Agência Brasil, serve como lembrete da importância da doação para a sociedade. Além disso, o Banco de Sangue de São Paulo conta com uma equipe de captadores de relacionamento. Segundo Jade Camilo Pereira, coordenadora comercial do Banco de Sangue, esses captadores passam seus dias buscando em geral, atléticas de universidades, grupos religiosos entre outros perfis que possam passar a ser doares. Embora, ainda assim, com todo esse esforço, o banco sofre com desfalques.

Segundo a OMS, o ideal seria que 3,5% da população fosse doadora, mas no Brasil temos apenas 1,5% de doadores, o que equivale a 14 doadores a cada mil habitantes. Em Ribeirão Preto, a situação é bem alarmante. Com o registro feito pelo hemocentro de apenas nove bolsas de sangue de A negativo quando o ideal seria 33 e para B negativo, o estoque deveria ser de dez bolsas e estão com apenas cinco. Já para O negativo, o ideal seria 67 bolsas e em estoque existem apenas 15 bolsas. Para José Luiz Belagamba Junior, captador de doadores do Hemocentro, outro agravante para essa baixa no estoque são os casos crescentes de dengue sendo que, após o diagnóstico, a pessoa só poderá voltar a doar em um prazo de 30 dias.
Em São Paulo, a situação também é crítica. Segundo a médica hematologista e hemoterapia da Fundação Pró-Sangue do Hemocentro de São Paulo, Selma Soriano, os estoques estão se aproximando de 50%, o que significa que em breve iniciarão procedimentos para gerenciamento de uma crise. Esse controle é possível por conta de um painel centralizado que opera sem pausa. Ele permite a conexão entre nove centros públicos do Estado de São Paulo e assim, é possível ter um parâmetro geral da situação e ter uma medida assertiva em relação a escassez.

Segundo a médica Selma, existem medidas mapeadas para tentar conter a situação, como o aumento do horário de funcionamento, abertura de postos de coleta aos finais de semana, envio de ônibus de coleta até o doador, como também a integração entre os hemocentros, promovida pela Hemorrede, uma rede estadual de hematologia e hemoterapia, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (SES) de São Paulo, que possibilita o remanejamento de bolsas de sangue conforme a necessidade de cada região.
Além disso, a coordenadora comercial do Banco de Sangue, Jade Camilo, informa que existe também a possibilidade da implantação de uma estrutura GSH dentro de hospitais e clínicas facilitando a doação para aquele público.
Em alguns casos, é necessário ter um racionamento de sangue. Para tipos sanguíneos raros, como dos grupos B e AB, pacientes com maior urgência são priorizados. Sendo que, segundo a hematologista, em geral, as transfusões podem aguardar o tempo de 24h, 48h até 72h, sendo que para a priorização existe critérios rigorosos a fim de que o paciente não seja posto em risco.
Atualmente, o Brasil conta com apenas 35% de mulheres doando sangue nos hemocentros, enquanto 65% dos doares são homens, segundo a Secretária Estadual das Mulheres do Espírito Santo. Isso porque a doação feminina permeia muitas crenças infudadas, uma delas é de que por conta da menstruação, a doação traria danos, como por exemplo a anemia. Mas esse não é o caso. Para os homens, a doação pode ocorrer em até quatro vezes ao ano com um intervalo de 60 dias, isso porque eles têm a presença constante de ferro em seu organismo. Para as mulheres, a doação entende a sua particularidade e assim, se adapta ao seu ciclo menstrual. Desta forma, a doação pode ser feita em até três vezes com um intervalo de 90 dias, não trazendo nenhum dano a saúde, como explica o Ministério da Saúde.
“Eu doei três vezes ao ano e dessa vez, trouxe minha filha para doar. É uma ação tão rápida, dura menos de 20 min e é possível o agendamento para agilizar ainda mais também. Fora que uma bolsa de sangue salva até quatro vidas!” Comenta Renata Silva, 51 anos. “Meu pai trabalhava em um banco de sangue e muitos familiares e amigos já precisaram de doadores, então é algo comum pra mim” Completa Renata. Já para Vitor dos Santos, estudante de enfermagem diz que iniciou a doação porque um parente precisou e não tinha seu tipo sanguíneo em estoque, “Foi muito delicado, sabe? E hoje, quando vou doar, sinto aquele medo, mas depois só fica aquele sentimento emblemático de como uma ação tão pequena ser capaz de salvar tantas vidas” afirma o estudante de enfermagem.
Para aqueles que ainda tem dúvidas da segurança da doação de sangue, a Fundação Pró-Sangue esclarece que existe um fluxo para doação com diversas etapas de segurança. Iniciando na recepção e no cadastro, algumas perguntas que já podem impossibilitar a doação já são feitas, após essa primeira etapa, os possíveis doadores passam por uma triagem clínica onde perguntas mais específicas são feitas, dúvidas podem ser tiradas e a checagem de sinais vitais e pesos são conferidos. E então, a doação pode ser feita de forma segura.
Após a doação, o sangue ainda passa por alguns procedimentos de segurança e ao passar, pode ser disponibilizado para doação. Sendo que a partir dessa única bolsa, quatro bolsas podem ser separadas.
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