Guardas civis, policiais civis e militares, agentes da Prefeitura e profissionais de saúde têm usado tecnologias como câmeras de reconhecimento facial, drones, bodycams e aeronaves para combater o crime, localizar pessoas desaparecidas e até transportar órgãos para transplantes em São Paulo.

Guardas, policiais e agentes públicos de São Paulo utilizam tecnologias como reconhecimento facial, drones, câmeras corporais e aeronaves para prevenir crimes, proteger a população e salvar vidas.
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A tecnologia tem sido uma aliada fundamental na segurança pública e no cuidado com a população em São Paulo. Um dos exemplos mais emblemáticos é o programa Smart Sampa, que utiliza câmeras com inteligência artificial espalhadas pela cidade para reconhecimento facial, leitura de placas veiculares e monitoramento de grandes áreas urbanas. O sistema já permitiu, por exemplo, a prisão de uma mulher de 43 anos condenada por homicídio qualificado e roubo armado. Foragida desde abril de 2023, ela foi identificada ao entrar na UPA Jaçanã, na Zona Norte, e detida por agentes da Guarda Civil Metropolitana.

Desde a implantação do Smart Sampa, mais de 917 foragidos da Justiça foram capturados — 598 só em 2025. Também foram realizadas 2.109 prisões em flagrante e localizadas 51 pessoas desaparecidas. O programa conta com mais de 25 mil câmeras, das quais 4 mil fazem leitura automática de placas, e parte é equipada com reconhecimento facial. Esses números são exibidos em tempo real no “Prisômetro”, painel eletrônico instalado na sede da central de monitoramento.
Casos como os do Carnaval 2025 reforçam a importância da tecnologia: André Luis Borges Oliveira Borges, condenado por roubo, foi preso durante um bloco na Rua Augusta; e Alexandre Figueira da Silva, procurado por receptação, foi localizado e detido na Santa Ifigênia, após ser identificado pelas câmeras.
Além da repressão ao crime, a tecnologia também está a serviço da prevenção e do cuidado. A Prefeitura de São Paulo lançou o programa Paulista Mais Segura, que intensifica o monitoramento e patrulhamento da Avenida Paulista com 376 agentes da Polícia Municipal, 63 viaturas, câmeras inteligentes, drones, cães, bicicletas, patins e atendimento bilíngue. O objetivo é garantir a proteção dos milhares de paulistanos e turistas que circulam diariamente por esse importante polo econômico e cultural da cidade. O perímetro de atuação cobre quase três quilômetros, entre a Praça do Ciclista e a Praça Oswaldo Cruz, com atenção especial às áreas próximas ao MASP, à Rua Augusta e ao Consulado Japonês.
O cuidado com a população também passa por ações como a realizada pelo Serviço Aerotático (SAT) da Polícia Civil no último domingo (6). A equipe foi acionada para transportar um fígado e um rim de Ribeirão Preto à capital paulista para um transplante urgente em um paciente de 69 anos. Em menos de meia hora, a aeronave turboélice pousou no Campo de Marte, e os órgãos foram levados de helicóptero até o hospital na zona sul, permitindo a realização da cirurgia dentro do tempo seguro. Segundo o delegado Fábio Pimentel, ações como essa mostram que as aeronaves da Polícia Civil servem também para salvar vidas.
Apesar dos avanços, o Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do GAESP, instaurou um inquérito civil para apurar a ausência de câmeras corporais na Guarda Civil Metropolitana. A Promotoria defende que o uso de bodycams é essencial para a transparência, para a produção de provas e para a proteção tanto dos agentes quanto dos cidadãos. O MP solicita à Secretaria de Segurança Urbana a apresentação de um plano com cronograma, critérios de gravação e orçamento para a implementação das câmeras corporais, incluindo sua aplicação em áreas sensíveis como a cracolândia e no Programa Guardiã Maria da Penha.
A Defensoria Pública do Estado de São Paulo também se manifestou sobre o uso dessas tecnologias. Em nota, a instituição afirmou apoiar o Smart Sampa como ferramenta de segurança e gestão urbana, desde que implementado com responsabilidade, controle social e respeito aos direitos fundamentais. A Defensoria ressaltou que manifestações específicas de seus núcleos refletem a pluralidade de atuação interna, e que não houve recomendação institucional para que mandados judiciais deixem de ser cumpridos com apoio tecnológico. A instituição segue aberta ao diálogo e à busca de equilíbrio entre segurança e direitos humanos.
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