Mesmo após a água baixar, moradores do Jardim Pantanal vivem o impacto da destruição: lixo, desemprego e falta de assistência. Com pouca ajuda do poder público, famílias tentam reconstruir suas vidas sozinhas
A enchente se foi, mas os problemas ficaram. No Jardim Pantanal, Zona Leste de São Paulo, moradores que passaram dias submersos agora enfrentam um cenário de destruição: entulho nas ruas, desemprego e falta de assistência. Com pouca ou nenhuma ajuda do poder público, a comunidade tenta sobreviver em meio ao caos.
A situação não é novidade para os habitantes da região, que convivem com enchentes há décadas. No entanto, o impacto desse último episódio foi agravado por falhas na infraestrutura e pela ausência de respostas eficazes do poder público. Segundo a Prefeitura, 800 toneladas de detritos foram removidas da área, mas a população ainda sofre com ruas bloqueadas por restos de móveis, eletrodomésticos e outros pertences destruídos pela água.

Sem perspectivas de solução rápida, os moradores recorrem à própria comunidade para sobreviver. O líder comunitário Alex Novais descreve a situação como um abandono completo por parte do governo. “Aqui, é a comunidade ajudando a comunidade. Ninguém sabe a extensão real da tragédia. Só quando a água baixa, descobrimos quem sobreviveu ou não”, relata.
O influenciador digital Danilo Soares, que possui quase 18 mil seguidores, utilizou suas redes sociais para mobilizar doações e ajudar no resgate de vítimas. Ele mesmo chegou a adoecer após o contato com a água contaminada, mas não parou de ajudar. “Tinha muitas pessoas presas em casa. Uma senhora de 70 anos, sem filhos ou netos para socorrê-la. Se nós não tomamos iniciativa, o socorro não chega”, conta.

A tragédia afetou de forma devastadora os moradores, como Patrícia Alves da Silva, que perdeu tudo o que tinha. “Não sobrou nada”, lamenta. Maria Lindinavla Batista também viu seus bens serem levados pela enchente. “Perdi a cama, três guarda-roupas e metade de um armário. Agora, só tenho os colchões que peguei da Prefeitura”, diz.
A crise também trouxe consequências para o mercado de trabalho. Muitos moradores foram demitidos por faltarem ao emprego devido às inundações. “Se você não tem como sair de casa, como vai trabalhar? Mas o patrão não quer saber”, desabafa um morador que preferiu não se identificar.


O Jardim Pantanal é uma região vulnerável, localizada em uma área de várzea do Rio Tietê. Apesar das promessas de soluções definitivas ao longo das décadas, as enchentes continuam ocorrendo. Na prática, os moradores ainda aguardam por mudanças efetivas
A Prefeitura de São Paulo afirma que tem tomado medidas emergenciais, incluindo a distribuição de cestas básicas, água e um cartão emergencial de R$ 1 mil. No entanto, os moradores reclamam que a ajuda é insuficiente e não alcança todos. Além de que os moradores dizem que a proposta de realocação é se 20 mil a 50 mil reais, o que é insuficiente para uma mudança de casa.
Enquanto aguardam soluções definitivas, os moradores do Jardim Pantanal seguem enfrentando, além das águas, o descaso. O temor maior é que, assim como em anos anteriores, a situação caia no esquecimento até a próxima enchente.





