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Atletismo além das pistas: O caminho dos atletas

A corrida é uma das modalidades mais conhecidas do atletismo

História do atletismo

O atletismo é o esporte mais antigo do programa olímpico. Surgiu na Grécia Antiga, na primeira Olimpíada, em 776 a.C. O formato atual foi estabelecido na Inglaterra no século XIX, no qual as modalidades são disputadas em estádios fechados, com provas de pista (corridas) e campo (saltos, arremessos, lançamentos), e na rua (corridas e marcha atlética, geralmente). A prova mais tradicional do atletismo é a maratona, corrida na rua em que os competidores fazem um percurso de 42 km. No total, são mais de 40 modalidades, sendo 28 delas disputas olímpicas.

No Brasil, a prática do atletismo começou nas últimas décadas do século XIX, e no século XX se consolidou e ficou mais conhecido. A primeira vez que uma equipe brasileira de atletismo esteve nos Jogos Olímpicos foi em Paris, no ano de 1924.

O esporte em São Paulo

Na cidade de São Paulo cada vez mais lugares para a prática do esporte estão sendo construídos e/ou reformados. O estádio do Pacaembu, atualmente Mercado Livre Arena Pacaembu, propriedade da Prefeitura Municipal de São Paulo, teve recentemente a recriação da pista de atletismo, que poderá ser usada gratuitamente pelo público. Da mesma forma, o Ceret, CepeUSP e o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) disponibilizam uso público de pistas de atletismo.

“O atletismo é bem desvalorizado aqui no Brasil”, conta Renan Firakawa, atleta da modalidade de salto em distância e salto com vara. Apesar das reformas feitas na cidade para melhorar a infraestrutura para a prática do esporte, a baixa visibilidade do atletismo no Brasil dificulta a vida dos atletas, que lutam para se manter. O pouco investimento causado pela pouca visibilidade ao atletismo coloca os atletas em situações incômodas para se sustentarem. “Hoje tento me manter como atleta, mas a minha principal renda vem de dois outros empregos”, conta Eloah Caetano Scramin, atleta Recordista Brasileira U23 em lançamento de dardos e treinadora, “Treino de manhã, mas não tenho tempo de recuperação, porque preciso dar treino e trabalhar”, diz.

O treino dos atletas é de alto rendimento, cerca de 6 dias na semana.

O processo de formação do atleta

Se tornar um atleta de elite envolve uma série de despesas com infraestrutura, treinadores, viagens, alimentação, equipamentos, equipe médica etc. Esses investimentos são essenciais para que os atletas possam competir com igualdade em competições internacionais.

Segundo a revista “exame”, para formar um atleta de elite no Brasil, o valor pode ultrapassar R$5 milhões. Nessa estimativa, os gastos inclusos são patrocínio (42%), bolsa atleta (25%), equipe técnica (20%), viagens internacionais (5%), viagens nacionais (1%), próteses (4%), instalações de treino (1%) e suplementos (1%).

O investimento em um esporte reflete o interesse do país em obter resultados expressivos. Para que os atletas brasileiros possam competir de igual para igual com as potências esportivas é necessário um investimento contínuo e sustentável a longo prazo.

O programa Bolsa Atleta do Ministério do Esporte oferece auxílio individual a atletas de modalidades olímpicas e paralímpicas. Para receber o patrocínio os atletas precisam atender aos pré-requisitos determinados, além de alcançar bons resultados nas competições qualificatórias definidas pelas respectivas confederações. Em São Paulo, a Bolsa Atleta Rei Pelé, também oferece auxílio financeiro a atletas que se enquadram nos requisitos necessários.

A necessidade de continuidade

“As pessoas acham que você é atleta e ganha um salário legal, mas na verdade mal conseguimos sobreviver”, conta Eloah. Segundo ela, a falta de projetos de continuidade para os atletas, ou seja, suporte para quando chegam nas categorias adultas, é um dos maiores problemas no atletismo hoje. Isso porque prejudica a permanência e o crescimento do atleta dentro do esporte. Sem a continuidade, o atleta não sabe que próximo passo dar na categoria ou como fazê-lo sem um auxílio financeiro.

“As dificuldades são na questão de patrocínio, porque tem muitas coisas que precisamos”, conta Maria Eduarda de Almeida, da modalidade de lançamento e arremesso. Segundo ela, apesar da bolsa auxílio, a renda dos atletas, muitas das vezes, acaba indo para o próprio esporte na compra de equipamentos, suplementos etc. “A gente tem que reembolsar da gente mesmo e acaba sendo muito caro”, conta a atleta.

O interesse pelo atletismo cresce durante os Jogos Olímpicos, “Voltam mais o olhar pra gente”, conta Maria Eduarda. Mas, segundo ela, fora do período não há valorização alguma aos atletas e ao esporte. Para Eloah Caetano: “Divulgar mais o esporte, divulgar onde tem escolinhas (de esporte), ter mais centros de treinamento, não só de formação, mas também de alto rendimento”, seriam a base para o Brasil ter o esporte como potência.

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