“Como treinadora eu vejo que pelo futebol ser um ambiente muito masculino, nós precisamos mostrar duas vezes nossa capacidade”, diz Débora Ventura, treinadora de futebol feminino
“Minha mãe não apoiava muito, não porque ela não gostaria que eu fosse atleta de futebol, mas porque ela tinha receio do preconceito que eu poderia sofrer”, conta Débora Ventura, treinadora de futebol feminino de base. O futebol feminino apresentou um crescimento notável nos últimos anos. Uma prática que por tanto tempo foi diminuída, agora têm sido alvo de investimentos tanto dos clubes quanto de organizações como a CBF. No Brasil, clubes tradicionais como Corinthians, Ferroviária e São Paulo mostram que valorizam a categoria através de investimentos em seus respectivos times. “Hoje eu enxergo uma valorização do futebol feminino, tendo vivido como uma adolescente no futebol no passado, vejo que hoje tudo o que fizemos por força e por resiliência, gerou fruto para as meninas hoje”.
A profissionalização, a maior visibilidade na mídia e o reconhecimento de potencial como um negócio, são fatores que contribuem para o crescimento dessa modalidade. Além disso, a própria mudança gradual na sociedade em relação às mulheres proporciona um olhar diferente para o futebol feminino.
Por muito tempo não foi assim. Falarda história do futebol feminino é falar sobre luta, resistência e resiliência. A prática do esporte por mulheres só foi regulamentada em 1983. Antes disso, não era bem vista pela sociedade e chegou a ser decretada como uma prática proibida em 1941, o que foi reforçado em um decreto em 1965. As mulheres não tinham espaço e nem aprovação para praticarem o esporte. Foram 40 anos proibidas por lei de jogarem futebol. O preconceito tentava impedi-las. Mas, com muita luta, o cenário mudou.
Com a regulamentação em 1983, foi permitido que houvesse competições, calendários, utilização de estádios e ensino nas escolas. Aos poucos o futebol feminino chega a grandes competições, como a primeira Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino em 1991 e a primeira Olimpíada em 1996. Infelizmente, tudo era tratado de forma amadora.
No Brasil, a maneira de olhar para o futebol feminino tem tido grandes avanços. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) definiu pelo Conselho Técnico do Campeonato Brasileiro Feminino A1 2025 um aumento no investimento do Brasileirão Feminino para este ano. Segundo o site da CNN, as cotas destinadas aos clubes terão um aumento de 20% em relação ao último ano. Será um recorde de investimento.

As competições no futebol feminino mundial são de alto nível, como a Copa do Mundo Feminina 2023, a Champions League Feminina, na Europa e o Brasileirão Feminino no Brasil. Há apenas alguns anos atrás não havia perspectiva desse crescimento acontecendo mundialmente.
Clubes de base de futebol feminino são parte importante na formação de mais atletas mulheres que possam conquistar uma carreira longa e de sucesso. O suporte e apoio desses lugares são essenciais para que jovens jogadoras alcancem o nível profissional. “Ajudam muito também na questão psicológica, temos psicóloga aqui para ajudar a gente”, conta Beatriz Catalano, jogadora da categoria sub 15.
Apesar de muitos avanços, são necessárias melhorias na categoria, que ainda enfrenta diversos obstáculos. Os patrocínios e investimentos são pouco comparados ao futebol masculino, “Como treinadora eu vejo que pelo futebol ser um ambiente muito masculino, nós precisamos mostrar duas vezes nossa capacidade”, diz Débora.
Segundo o UOL, a Copa do Mundo Feminina de 2023, teve 83% a menos de investimentos feitos por empresas em comparação a Copa do Mundo Masculina de 2022. A diferença salarial também é um problema, já que na categoria masculina os jogadores ganham muito mais. Uma representação disso é a diferença salarial entre Marta e Neymar, dois grandes nomes que tiveram muitas conquistas no futebol, mas, segundo o site Valor Econômico, o salário da rainha Marta é 125 vezes menor que o do craque. A inconstância do calendário de jogos também afeta a modalidade. “Ainda precisamos ser uma sociedade menos machista, ter um futebol menos machista e precisamos de maiores investimentos”, diz a treinadora Débora.





