
Com a inflação dos alimentos atingindo patamares históricos, brasileiros de diferentes classes sociais sentem o peso no bolso. Entre cortes no consumo e substituições, a população tenta driblar os preços altos para garantir uma alimentação básica.
O custo da alimentação no Brasil não para de subir, e os brasileiros sentem cada vez mais o peso no bolso. Em 2025, os gastos com comida já consomem 20,8% da renda, um impacto ainda maior para as famílias de baixa renda. Itens básicos como carne, café e frutas dispararam, forçando consumidores a mudar hábitos e cortar produtos essenciais. Alimentos como as proteínas, tiveram um aumento significativo, principalmente a carne bovina com um avanço de 20,84% no preço. Um dos cortes mais populares consumidos no país, que é o acém, subiu 25,24%. E, segundo o resultado mais recente do IPCA, os preços subiram 1,31% em fevereiro, o maior patamar para o mês em 22 anos. Algo que vem afetando a mesa de muitos brasileiros, como a da Cátia Florêncio, 54 anos, professora. “A gente começa a buscar outras marcas porque também tem a qualidade né, aí a gente dá uma diminuída no consumo, ao invés de comer uma carne de primeira, trocamos por uma de segunda, ou o que estiver na promoção, como por exemplo o peixe, o frango, pra dar uma variada”.
Carnes, frutas e café entre os produtos que mais subiram
O café é outro produto que sofreu alta expressiva nos preços. No Brasil, o preço do café moído subiu 39,6%. Um dos mais queridos na mesa do brasileiro, teve essa alta mais elevada por conta das crises climáticas n
os últimos meses, como geadas e ondas de calor extremos, que prejudicou a produção das safras do café. E isso levou a uma alta na demanda nacional e internacional pela bebida, já que o Brasil é o maior exportador mundial do produto. E Gislene Pivas, 60 anos, aposentada, contou sua indignação com os preços do produto. “Nossa, o café é um absurdo, uma semana eu paguei R$26,90 e na outra eu paguei R$ 39,90, eu achei um absurdo”. Que também comentou sobre o aumento do preço das frutas e verduras. “Eu gosto de vir aqui, no Mercado Municipal de São Paulo, por causa das frutas. Dá para sentir muito a alta dos preços, principalmente das verduras e as frutas, estão um absurdo. A banana, por exemplo, eu chego a pagar 8 reais o quilo, e eu procuro comprar sempre de terça e quinta que são os dias mais em conta, mas com certeza a banana foi a que mais ficou cara.” Apesar da alta dos preços, Gislene mantém frutas e verduras em sua alimentação. “Não tirei da minha alimentação, sou amante dessa comida natural”, finalizou.
Comerciantes sofrem com impostos e queda nas vendas
As frutas, vegetais, e outros alimentos essenciais na mesa dos brasileiros como o óleo de soja, também sofreram um aumento significativo nas prateleiras dos supermercados. Enquanto o abacate subiu 174,6% e a laranja 48,33% nos últimos 12 meses, a cebola, o tomate, e a cenoura tiveram um aumento em janeiro de 4,78%, 17,12%, 18,47% respectivamente. Para Nair Gazzotti, 73, dona de casa, o aumento das frutas e do óleo de cozinha fez diferença na sua mesa. “Eu diminuí bastante o uso de óleo, eu estou usando mais toucinho agora. E a goiaba, que eu como muitopor causa da diabete, que me faz bem, mas foi uma coisa que subiu demais”, destacou Nair. Mas não são só os consumidores que são afetados pelo aumento dos alimentos, os donos de comércio também são atingidos pela
alta, como conta João Levi Miguel, 92 anos, comerciante atual mais velho no Mercado Municipal de São Paulo. “O problema é muito imposto. Aumenta petróleo, aumenta o carreto, tudo vai aumentando. Alimento deveria ser isento de imposto. O imposto é mais caro que a mercadoria, aí nunca vai melhorar”. Mesmo assim, ‘Seu Levi’ faz de tudo para segurar os preços de sua mercadoria. “Eu tento segurar, mas às vezes não tem como, eu estou pagando R$ 330,00 na caixa de palmito e vendo a R$ 350,00. O que eu ganho? 20 reais na caixa de palmito não pagam nem as despesas. A freguesia também não tem condição de comprar, está ficando caro o custo de vida ,a população está aumentando e a produção está caindo, aí fica caro mesmo”, pontuou Levi.
O que o governo tem feito para conter os preços?
Para conter a alta dos preços, o governo adotou medidas como a isenção da alíquota de importação para alguns alimentos. E dentre esses alimentos, estão a carne, o café e o azeite de oliva. De acordo com a professora de macroeconomia e economia brasileira, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Waleska Ferreira diz que a forte volatilidade cambial no Brasil é um dos principais fatores que afetam os preços dos alimentos. “O brasil hoje vem vivenciando uma desvalorização do real em termos do dólar. Em geral, também comercializamos esses produtos para o mercado externo. Então, quando você vende esse produto ao mercado externo quando sua moeda está fraca, você também desabastece o mercado e acaba gerando uma nova tensão sobre os preços”. Outro fator que Waleska pontua, seriam os insumos importados, “Como importamos esses produtos, esses itens ficam mais caros por conta da desvalorização da nossa moeda e aumento do dólar. Assim, aumentando o custo de produção, haverá todo um impacto na cadeia produtiva, pressionando a taxa de inflação”.





