Com certificação ambiental inédita no Brasil, a Estação Anália Franco será a primeira obra metroviária sustentável de São Paulo. A nova estrutura aposta em eficiência energética, reaproveitamento de água e redução de impactos ambientais para transformar a mobilidade urbana.
A primeira estação de metrô sustentável do Brasil
Entre as oito estações que o Metrô constrói para ampliar a Linha 2-Verde até Penha, uma se destaca nos aspectos ambientais: trata-se da futura estação Anália Franco, que foi projetada com parâmetros de construção sustentável que atende aos requisitos de obtenção do certificado LEED®BD+C, que é um dos mais renomados selos de práticas sustentáveis em edificações. Para isso, a construção vai observar uma série de normas que vão da localização em região adensada ao monitoramento de atividades de implantação da obra e procedimentos de operação e manutenção para minimizar o impacto ambiental. O objetivo é tornar a Estação Anália Franco, a primeira obra metroviária a obter esse certificado e ser um modelo para futuras obras.
Como funciona a certificação LEED?
A certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é um sistema de avaliação para construções sustentáveis, que considera aspectos como eficiência energética, uso de recursos naturais, qualidade ambiental interna e impacto ambiental. As construções são avaliadas por meio de uma série de critérios divididos em categorias, como “Eficiência Energética e Atmosférica”, “Água”, “Materiais e Recursos”, entre outras. Cada categoria recebe uma pontuação baseada nas ações sustentáveis implementadas no projeto. O total de pontos alcançados define o nível da certificação, que pode ser “Bronze”, “Prata”, “Ouro” ou “Platina”, sendo a Platina o nível mais alto, alcançado por projetos que atingem a maior pontuação possível.
Para fortalecer a identidade da obra, o Metrô criou a campanha ‘Metrô Rumo ao LEED’.
Redução de impacto ambiental: inovação na construção

A construção da estação utiliza métodos que minimizam impactos ambientais, como os túneis escavados pelo Tatuzão e todo o processo construtivo realizado em canteiros de obra a céu aberto. Essas técnicas buscam reduzir a emissão de resíduos e otimizar o uso de recursos naturais. Também, procuram avaliar a qualidade do ar durante as obras, através de um equipamento chamado hi-vol, que possui um filtro que monitora as partículas do ar. Esse filtro é analisado pela CETESB, para aprimorar os estudos da poluição do ambiente. Para controlar a poluição sonora dos equipamentos os engenheiros adotaram uma técnica chamada de “enclausuramento”. Algumas máquinas como geradores, precisam funcionar 24 horas por dia. E para que não haja incômodo aos lindeiros, são utilizadas telhas e uma espécie de parede de madeira para abafar o som.

Eficiência energética e reaproveitamento de recursos
A estação conta com lixeiras para compostos orgânicos, geobags para gerenciamento de resíduos, uma estação de tratamento de efluentes, controle de monitoramento de erosão para evitar que a terra vá para o córrego e reuso de água para lavagens dos caminhões. Após a entrega, a estação contará com equipamentos sanitários que ajudará a reduzir de consumo de água em 20%, além de reutilizar a água de chuva para regar as áreas verdes, lavar a estação e contará com a coleta de lixo seletivo.

Outra preocupação está no consumo energético e por isso toda iluminação será com luminárias de LED, as escadas rolantes terão controle de frequência para redução do gasto elétrico e haverá placas solares pela estação para o aquecimento de água.
O que esperar da nova Estação Anália Franco?
Além de melhorar a mobilidade urbana, a estação contará com um bicicletário integrado às ciclovias próximas, colaborando para a melhoria da mobilidade em grandes centros. Todos esses requisitos virão acompanhados do cumprimento a diversas legislações para licenciamento ambiental e atendimento a normas de segurança do trabalho e exigências do corpo de bombeiros, que poderão dar à futura estação Anália Franco o título de estação sustentável.
Outros itens contemplados envolvem a criação de espaços de convivência nas áreas externas da estação, com bancos e áreas verdes com percentual mínimo de 50% da superfície da edificação, podendo revitalizar o entorno e trazer benefícios de redução de calor, áreas mais permeáveis e servindo também à avifauna local, através das árvores do projeto de paisagismo. No interior da estação, os sistemas de ventilação e exaustão de ar, além do projeto de iluminação, vão colaborar para o bem-estar e conforto das pessoas, considerando a permanência prolongada em uma área fechada.
Por fim, a inserção urbana da Anália Franco é outro fator que pode ajudar na obtenção do certificado. A estação vem sendo construída em uma área adensada em que já foram identificados mais de 10 tipos de serviços básicos, como escolas, hospitais, agências bancárias e mercados, em um raio de até 800 metros.



