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Febre do futevôlei e beach tennis: Como São Paulo virou um polo dos esportes de areia

Por Felipe Romano e Matheus Talassi

 

Mesmo sem praia, São Paulo viu o crescimento explosivo dos esportes de areia nos últimos anos. Com novas quadras e incentivos públicos, futevôlei, beach tennis e vôlei de praia se tornaram cada vez mais populares entre atletas e amadores

 

A explosão dos esportes de areia em São Paulo

O que era um lazer restrito às praias agora se tornou febre na capital paulista. Nos últimos anos, quadras de areia surgiram por toda a cidade, impulsionadas pelo crescimento do futevôlei, beach tennis e vôlei de praia. Com investimentos públicos e privados, São Paulo virou um polo desses esportes — e a tendência segue em alta. A partir de iniciativas privadas e também públicas, realizadas pela Prefeitura da cidade de São Paulo, os esportes como futevôlei, beach tennis e vôlei de praia estão cada vez mais ganhando seu espaço. Além dos praticantes, marcas e empresas passaram a investir fortemente nessas quadras, patrocinando eventos e torneios. Entre as quadras mais conhecidas está a Arena EZTEC, complexo de quadras na zona sul da capital, que recebe diversos campeonatos como a Liga Nacional de Futevôlei, a Copa do Mundo de Beach Tennis e o projeto Praia de Paulista. Matheus Modesto da Silva, 30 anos, gerente da unidade Vila Mariana do Posto 011 acredita que essa procura por parte dos praticantes esteja relacionada ao ambiente no qual essas modalidades são praticadas, já que não têm praias na capital paulista. Milena Tavares, 27 anos, atleta de futevôlei, confirma isso. “Busquei o futevôlei justamente por ser praticado em uma área externa e que pode ser praticado descalço, o que faz diferença”, afirma Milena.

 

Na imagem, Posto011 da unidade Vila Mariana.
Foto: Matheus Talassi

 

Infraestrutura cresce para atender à demanda

Junto com a procura, a infraestrutura da cidade para atender essa demanda também cresceu e segundo dado da Federação Paulista de Tênis, divulgado em dezembro de 2022, o município conta com 200 das aproximadamente 1500 quadras de areia do estado de São Paulo. Segundo Matheus, a demanda pelos esportes varia conforme a estação do ano, atingindo o pico no verão e na primavera, e uma baixa durante tempos mais frios, o que ele considera normal. Hoje a unidade da Vila Mariana do Posto 011 conta com aproximadamente 500 alunos por dia.

         Em 2023, Ricardo Nunes assinou a Lei Municipal que incluía no calendário de eventos o dia 29 de janeiro como o Dia dos Esportes de Areia, que passou a vigorar em 2024. O município conta com sete centros esportivos disponíveis para a prática dessas modalidades, além também de disponibilizar equipamentos públicos, como raquetes e bolas. Em 2024, a Prefeitura lançou o projeto ‘São Paulo – Esta é Minha Praia’, que ajudou a popularizar ainda mais os esportes de areia e transformou a Zona Sul de São Paulo em um polo de esportes de areia, com a criação de áreas específicas para a prática dessas atividades, promovendo mais acessibilidade e incentivando a prática física de qualidade. O projeto oferece aulas gratuitas para todas as idades e níveis de experiência e ao todo, atendeu mais de 600 pessoas.

 

Na imagem, Posto011 da unidade Vila Mariana.
Foto: Matheus Talassi

 

Os benefícios para a saúde — e os riscos

         Os esportes de areia também trazem grandes impactos na saúde de quem joga. Os esportes de areia contribuem para a resistência cardiovascular, pois exigem movimentação contínua e esforço físico moderado a intenso, o fortalecimento muscular, por conta da maior resistência da areia em movimentos, o que força mais o corpo a ser trabalhado. Há também a melhora de coordenação motora e equilíbrio, e do condicionamento físico, além de trazer menos perigo para as articulações por conta do impacto com a areia, que é uma superfície macia. Victor Criscito, de 24 anos, atleta de futevôlei afirma que também percebeu melhora na saúde mental. Outro questão positiva é também um dos motivos para o grande crescimento dessas modalidades durante o período da pandemia, a socialização em um espaço livre.

         Porém existem também riscos para integridade física, assim como todos os esportes, como por exemplo, lesões musculares por se tratar de esportes de explosão, ou seja, correr em menos espaço, porém com grande intensidade. Além de se tratar de um esporte em superfície irregular, aumentando o risco de quedas e lesões ligamentares e entorses.

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